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Urgente: OMS suspende testes com remédio que Bolsonaro defende

Estudo diz que não existe eficácia do medicamento no tratamento da Covid-19 e seu uso aumenta riscos cardíacos

Da Redação com Agências Publicado segunda 25 maio, 2020

Estudo diz que não existe eficácia do medicamento no tratamento da Covid-19 e seu uso aumenta riscos cardíacos
Urgente: OMS suspende testes com remédio que Bolsonaro defende - Agência Brasil
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Em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (25) a OMS - Organização Mundial de Saúde - anunciou que decidiu interromper todos os estudos com o medicamento hidroxicloroquina no tratamento contra o corona vírus (Covid-19). Trata-se do mesmo medicamente que na semana passada o governo Bolsonaro editou documento alterando o protocolo de tratamento, e que vem incentivando o seu uso desde as fases iniciais da doença.

A decisão da OMS veio depois de um grande e completo estudo ser publicado na semana passada em uma das mais importantes revistas científicas do mundo. Segundo o estudo não existe eficácia do medicamento no tratamento da Covid-19 e, por outro lado, o uso do medicamento aumentou significativamente os riscos à vida dos pacientes, causados pelos efeitos adversos da droga.

O estudo que motivou a decisão da OMS foi publicado na revista Lancet e analisou mais de 96 mil pacientes. Os pacientes testados foram  divididos em grupos. Um dos grupos recebeu apenas o tratamento convencional sem a hidroxicloroquina ou cloroquina, o desgundo grupo recebeu a cloroquina e hidroxicloroquina, e o terceiro grupo recebeu um tipo de antibiótico.

O estudo constatou que não houve benefício no grupo tratado com hidroxicloroquina e cloroquina. Mas os pesquisadores notaram algo mais grave, ocorreu um aumento de riscos cardíacos - causados pelo medicamento - no grupo tratado com a combinação de cloroquina e hidroxicloroquina.

O uso deste dois medicamente no tratamento do corona-vírus causou muitas tensões em Brasília nos últimos meses, e foi uma das principais causas da saída do ex-ministro Mandetta da Saúde, e recente do ex-minitro Nelson Teich, que ficou menos de um mês no cargo. Ambos ministros, que são médicos, discordavam de Jair Bolsonaro, e não queriam o uso em larga escala do medicamento antes de existir comprovações científicas de sua eficácia no combate à Covid-19 e de sua segurança para os pacientes.

Resta agora saber se o Ministério da Saúde vai acatar a recomendação da OMS, e abandonar os testes com cloroquina e hidroxicloroquina.

Último acesso: 09 Jul 2020 - 23:07:59 (1052207).