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Camila Pitanga: uma força da natureza em Velho Chico

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Apesar de ter conhecido o mundo, a Maria Tereza de Camila Pitanga, vai provar que continua apegada à terra onde nasceu e à cultura em torno do Velho Chico

Os telespectadores de Velho Chico sentiram, na segunda 11, mais uma passagem de tempo na novela de Benedito Ruy Barbosa, Edmara Barbosa e Bruno Luperi e ficaram encantados com a cena em que Camila Pitanga assume o papel de Maria Tereza. De forma singela, ela entra no banho de chuveiro, exibindo suas curvas. É a passagem da menina-moça, interpretada por Julia Dalavia, para a adulta. “Tereza é uma mulher natureza. É muito conectada com aquela terra, com o Velho Chico e, fundamentalmente, com uma história que ela tentou deixar para trás: a do amor pelo Santo (Domingos Montagner). Ela viajou, conheceu o mundo, mas se aportou em Salvador”, conta Camila, de 38 anos. 

Com foi pegar o bonde andando, no sentido de a personagem já ter tido um andamento anterior, interpretada pela Julia Dalavia?
Em 23 anos de carreira, é a primeira vez que pego o bonde andando. Mas a gente trabalhou muito juntas. A preparação foi de todos. Não teve a da primeira fase e da segunda fase para o elenco. É tudo uma novela só. Tivemos, desde novembro, uma batalha estudando os movimentos, as vivências dos personagens. Muitas vezes, uma cena que era da primeira fase eu estudava junto com a Julia Dalavia. Claro que ela tem a assinatura dela, o talento incrível dessa jovem atriz, que emocionou todo mundo. Pude assisti- la gravando na Bahia e é nessa fonte que eu vou beber. E ainda teve a Isabella Aguiar, que é fantástica. São referências, inspirações lindas. 
É complicado tirar da mente do público a imagem tão forte da Regina, de Babilônia (2015)?
A Regina eu vivi quando estava gravando. Quando acaba o trabalho eu me despeço dele. Às vezes, acontece, como ocorreu com a Bebel (de Paraíso Tropical/ 2007), que eu via algumas coisas dela presentes ainda. Tem um tempo que eu acabei de fazer Babilônia. E a gente está num contexto totalmente diferente daquele. Um processo de trabalho totalmente novo. Não é isso que me preocupa. A Tereza tem muitas contradições. É uma mulher que não tem muitas certezas. Essa dúvida que ela tem, entre a família, a paixão, entre a própria figura do pai, que a oprime, mas, que ao mesmo tempo, ela ama. É um desafio enorme estar nesse caldeirão de emoções. 
O espectador já conhece toda a trajetória inicial da Tereza. O que se pode esperar daqui pra frente?
Quando entrei na história, ela estava voltando ao Brasil e querendo se reconectar com ela mesma. Com aquela alma da Bahia sertaneja, com aquela alma de uma pessoa livre. Ela viveu quase 28 anos tentando se esquecer, se desconectar de alguma coisa que estava dentro dela o tempo inteiro. Isso tem a ver com o amor que Tereza sente pelo Santo, mas tem ligação também com a relação tortuosa com o pai, Afrânio (Antonio Fagundes), e com a avó, Encarnação (Selma Egrei). A gente está falando de um pseudo coronel, de uma matriarca de uma família extremamente rígida. E Tereza, por ser livre, não tem muito lugar no seio daquela família. Ela não tem acolhimento ali. 
E como fica o marido, Carlos Eduardo (Marcelo Serrado), nesse retorno da Tereza à Bahia?
Tereza é apaixonada pelo filho, Miguel (Gabriel Leone). Ela e o marido são grandes cúmplices de um mistério que os une. Não é um casamento puro, mas há um afeto, um carinho muito forte por parte dos dois. De um lado, ela vai ficar muito dividida entre a paixão pelo homem que ama e, do outro, pelo marido. Bem complicado. 
Tereza é uma mulher agoniada?
Sim. A agonia que esse rio passa, que está morrendo, é um pouco a agonia interior dessa mulher. Só que ela está tentando se reerguer, está buscando se olhar de novo e, quem sabe, se redescobrir. 
E voltar à fazenda onde nasceu?
Tereza é uma mulher do interior, mas é sofisticada, já viajou o mundo. É muito justa e ética. Está querendo retomar o conhecimento daquele lugar por onde tem tanto apreço. Ela trabalha com a fazenda, com exportação de frutas, não só da propriedade do pai. Você participou de Porto dos Milagres (2001), que também se passava na Bahia. 
Acha interessante o horário nobre fugir do eixo Rio-São Paulo?
O Brasil é tão rico! É preciso ter produções em outras partes, para a gente conhecer o país nas telas. Da mesma forma que agora estamos colocando em primeiro plano o Nordeste, espero que venham novelas falando do Sul. O Brasil tem essa riqueza cultural imensa, todos os cantos têm o que contar. E o público tem o interesse de conhecer melhor a sua própria cultura.

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