cinema   / Política

Ancine nega pedido de 1 milhão a filme de Wagner Moura

Órgão rejeitou pedido de ressarcimento do longa 'Marighella', produzido por Moura

Bruno Silva Publicado quinta 29 agosto, 2019

Órgão rejeitou pedido de ressarcimento do longa 'Marighella', produzido por Moura
Wagner Moura: filme polêmico e medo de andar pelo país - Divulgação

O ator e diretor Wagner Moura declarou durante o Festival de Berlim que o filme que está co-produzindo, o longa "Marighella", que conta a história de um guerrilheiro que lutou contra o regime militar, era maior que o presidente Jair Bolsonaro, em uma clara provocação ao atual governo.

"Nosso filme é maior do que Bolsonaro. Não é uma resposta a ele, mas obviamente esse é um filme, provavelmente um dos primeiros culturais da arte brasileira, que está em contraste com o grupo que está no poder no Brasil”, declarou Moura.

Com uma política disposta a rever o repasse de verbas na produção audiovisual do país, saiu uma notícia que deixa clara a nova intenção.

A O2 Filmes, produtora responsável pelo longa, teve dois pedidos feitos à ANCINE rejeitados. O primeiro era utilizar R$ 1 milhão em recursos públicos para ressarcir  despesas do longa.

Já o segundo pedido solicitava pedia o descumprimento de cláusulas contratuais no tocante à comercialização do Filme. A agência explicou que no segundo caso, porque uma regra determina que, caso não seja enviado um contrato de comercialização até 90 dias antes do lançamento, o FSA (Fundo Setorial do Audiovisual) passa a fazer jus a 5% da receita, e a produtora queria que essa cláusula fosse ignorada.

A diretoria da agência revogou os dois pedidos, que foram considerados irregulares.

Parece que o longa produzido por Wagner Moura vai enfrentar problemas também na distribuição. Em entrevista recente o ator revelou até que sente um certo medo de voltar ao Brasil para divulgar o filme.

Em nota enviada à revista VEJA a produtora O2 explicou a sua versão dos fatos:

"A O2 Cinema esclarece que, diferentemente do noticiado, os pedidos analisados pela Ancine estão dentro da estrita legalidade. No primeiro caso, a O2 investiu recursos próprios, mais de um milhão de reais, que não serão reembolsados com recursos públicos e pediu esclarecimento na Ancine sobre a adequação do orçamento para a contratação no edital de complementação do FSA. O segundo pedido foi causado pela morosidade do FSA no processo de contratação e nele a O2 apenas formulou questionamento acerca da viabilidade da obrigação de oferta ao Fundo ser cumprida antes da efetiva contratação", diz a nota

Último acesso: 19 Feb 2020 - 12:50:33 (1050982).