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Em Velho Chico, o diretor Luiz Fernando Carvalho resgata o romantismo na saga que atravessa gerações

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Conhecido pela parceria com Benedito Ruy Barbosa, Luiz Fernando Carvalho assina, mais uma vez, a direção artística de uma obra do autor: Velho Chico

A união começou em 1987, na novela Vida Nova. De lá pra cá, Benedito Ruy Barbosa e Luiz Fernando Carvalho colecionaram sucessos como Renascer (1993), O Rei do Gado (1996) e Meu Pedacinho de Chão (2014). Para a nova trama das 9, o diretor aposta no resgate das tradições sertanejas para apresentar um Brasil desconhecido. “O país tem uma dimensão étnica, estética e cultural muito além do que o mercado preconiza. O Brasil é amplo e não se traduz a uma única região”, garante o carioca, que teve de se “virar nos 30” para iniciar a produção às pressas, depois que Sagrada Família, a novela de Maria Adelaide Amaral e Vicent Villari, foi adiada. 

O que Velho Chico irá mostrar?
O Brasil tem uma dimensão étnica, estética e cultural muito além do que o mercado preconiza. O país é amplo e não se traduz numa única região. A novela é um trabalho que não exclui as grandes emoções, através do combate dramático, do colorido, do contraste das pessoas, e essa mistura toda é a nossa riqueza. Quando escolhi Tropicália (interpretada por Caetano Veloso) como música-tema para Velho Chico, não optei pelo valor artístico, e sim por um pensamento bastante lúcido sobre o país, em que todas as camadas se misturam e dão a sensação de atemporalidade. A mensagem que queremos passar é que o sonho está dentro de todos nós. 
Como as histórias permeiam por todo o rio São Francisco?
O rio está morrendo. Mas o amor dos personagens ainda está lá. Ele é eterno e transcendente. Já o rio precisa de procedimentos políticos, de ações reais. A mistura de afeto e abandono forma o Velho Chico. Essa é uma história que buscamos representar o país no atual momento que o Brasil vivencia e o passado: a memória do rio cheio, a fartura, mas também a decadência dos políticos, a esperança, a potencia do sertão. 
As lendas que rondam o Velho Chico estarão na trama?
Naturalmente, ao se aproximar do Brasil, você se aproxima desse imaginário que é muito rico e desconhecido. Com a evolução das mídias, esses aparelhos domésticos ocuparam o lugar dos contadores de histórias, que viviam às margens do rio. Vamos reencontrar parte dessas fábulas, como a do Negro D’Agua. Velho Chico é um melodrama, mas é ainda mais abrangente, por lidar com o mágico. 
Qual foi sua orientação para o figurino e a cenografia?
O figurino é a segunda pele. Ele vai revestir os sentimentos e imaginação do intérprete. É um elemento que não é do ator, e sim da terceira pessoa que vai atravessar o espaço. A minha função é transformar o invisível em visível. O cenário tem a mesma importância na dimensão de sentimentos. Tem que evocar emoção. Fazer isso num Brasil com edificações abandonadas é um desafio enorme. Orientei para não construirmos nada, e sim restaurássemos. Vamos nos deparar com obras de arte na telinha. 
Como foi produzir uma novela como essa em pouco tempo?
Essa foi uma novela emergencial. Só exigi trabalhar com a equipe que havia pensado. Normalmente, uma novela é preparada com dois anos de antecedência. Nós fizemos toda a produção, que requer uma estrutura não apenas com o pensamento estético, mas também operacional, em apenas dois meses. 
Você usou o galpão de ensaios com os atores. Como ele ajudou?
É onde tudo começa e tudo termina. É um espaço sagrado, porque é um local de troca de experiências e construção coletiva. A quantidade de informação que o galpão recebe e troca diariamente, de certa forma, relativiza o tempo e conseguimos fazer a produção em pouco tempo. 
E sua parceria com o Benedito?
Ele sempre me deu liberdade para lançar meu olhar ao que entendia do texto. Sempre foi uma parceria espiritual. O legado que tenho da TV é minha relação com o Benedito.

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